Walsh, Enda

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Walsh, Enda

(1967)

endaminA carreira dramatúrgica de Enda Walsh começou quando ainda frequentava a universidade, no âmbito do Dublin Youth Theatre. Contudo, ela só conheceria maior destaque a partir de 1994, quando integrou a companhia Corcadorca, em Cork, da qual seria diretor artístico entre 1996 e 1999. Foi nesse âmbito que estreou peças como Misterman, The Ginger Ale Boy e Disco Pigs, que lhe valeria os prémios Stewart Parker Trust e George Devine. Seguir-se-iam Sucking Dublin, Bedbound e Pondlife Angels; a prestigiada companhia de teatro Druid, de Galway, produziria The Walworth Farce e The New Electric Ballroom. Entretanto, The Small Things, em 2005, foi já produzida pela londrina Paines Plough. O primeiro contacto do público português com a obra de Enda Walsh data de Julho de 2002, devido à apresentação, no âmbito do Festival Internacional de Teatro de Almada, de Disco Pigs, na produção alemã da Schaubhühne (am Lehniner Platz), com encenação de Thomas Ostermeier.

Dois anos mais tarde, em Setembro de 2004, o dramaturgo visitaria Portugal pela primeira vez para conduzir, com John Tiffany, um seminário de encenação e nova dramaturgia promovido pela companhia Artistas Unidos, com o apoio do British Council, e em colaboração com a Paines Plough, e frequentado por um elevado número de jovens dramaturgos e encenadores portugueses. Dessa experiência se dava conta no n.º 13 da revista Artistas Unidos (Abril de 2005), que incluía uma entrevista com Walsh e Tiffany, bem como a tradução portuguesa de Disco Pigs, realizada por Joana Frazão (cf. Walsh 2005a: 176-183). Entre 2007 e 2008, a mesma companhia produziria, com amplo sucesso crítico, duas peças suas, Disco Pigs e Acamarrados (Bedbound). Contudo, talvez que a experiência mais singular do cruzamento do dramaturgo irlandês com o teatro português tenha sido a breve peça que foi convidado a escrever pela mesma companhia para Conferência de Imprensa e Outras Aldrabices, o espectáculo de homenagem a Harold Pinter – no ano em que o dramaturgo britânico recebia o Prémio Nobel da Literatura, 2005 –, apresentado no Teatro Nacional D. Maria II: Lyndie Tem uma Arma (Lyndie Has a Gun) seria ulteriormente publicada, na coleção Livrinhos de Teatro, naquilo que constitui até ao momento a única edição em qualquer língua daquela peça.

Uma segunda deslocação do dramaturgo a Portugal teria lugar em 2007, no âmbito do Festival de Literatura Irlandesa, “Rising to Meet You”, realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 14 e 16 de Novembro. No segundo dia dessa iniciativa, o dramaturgo conversaria por duas vezes com Jorge Silva Melo, o diretor da Artistas Unidos, em sessões públicas: primeiro, na própria FLUL, numa iniciativa intitulada “A sense of stage”, integrada naquele Festival; e, mais tarde, no espaço da Guilherme Cossoul, após uma representação de Disco Pigs, na presença também da encenadora (Franzisca Aarflot) e da tradutora (Joana Frazão).

 

Passagens

Portugal, Irlanda.

 

Citações

LYNDIE
Eu sou simpática. Não te quero torturar, mas tu estás a começar a provocar-me, percebes? Agora ou me dizes o que sabes ou começo a torturar-te. Decide tu. (Lyndie Tem uma Arma, 73)

 

Bibliografia Ativa Selecionada

WALSH, Enda (2005a), Disco Pigs, tradução Joana Frazão,in Artistas Unidos Revista, n.º 13, Abril, Lisboa, Artistas Unidos / Livros Cotovia, pp. 176-183.
––– (2005b), Lyndie Tem uma Arma, in AA. VV, Conferência de Imprensa e Outras Aldrabices, Livrinhos do Teatro, número especial, Lisboa, Artistas Unidos / Edições Cotovia.
TIFFANY, John / WALSH, Enda (2005), “Espaço para uma conversa honesta”, Artistas Unidos Revista, n.º 13, Abril, Lisboa, Artistas Unidos / Livros Cotovia, pp. 168-175.

 

Bibliografia Crítica Selecionada

CARNEIRO, João (2008), “Os Miseráveis”, Expresso, Suplemento “Actual”, 19 Abril, p. 51.
COELHO, Rui Pina (2008), “Acamarrados”, Público, Suplemento “Ípsilon”, 9 de Maio, p. 56.
HENRIQUES, Joana Gorjão (2005), “Política à la carte no cabaret-homenagem a Pinter”, Público, 16 de Junho, p. 48.
OLIVEIRA, Maria José (2002), “O desassossego alemão no Festival de Almada”, Público, 15 de Julho, p. 39.
OSTERMEIER, Thomas (2002), “O prazer do teatro”, Expresso, Suplemento “Cartaz”, 13 de Julho, pp. 22-23.
PAIS, Ana C. (2002), “Lepage e Ostermeier no Festival de Almada”, Público, 16 de Julho de 2002, p. 35.

 

Paulo Eduardo Carvalho (2011/11/18)